Autoridades falam em informações são “caluniosas”

Governo desmente existência de vala comum na Lunda-Norte

O Ministério do Interior e as autoridades da Lunda-Norte desmentiram, esta segunda-feira, a alegada existência de uma suposta vala comum, onde terão sido enterrados vários cadáveres na localidade de Calonda.

Governo desmente existência de vala comum na Lunda-Norte

Num comunicado de imprensa, o Governo refere que as informações que “estão a circular nas redes sociais” são “caluniosas” e provenientes “de indivíduos descontentes com o trabalho de combate ao garimpo e à imigração ilegal, que tem sido desencadeado por forças do sistema de segurança a nível do município do Lucapa, concretamente na localidade de Calonda”.

Segundo o Ministério do Interior, no dia 4 deste mês, alguns cidadãos, membros de uma família, comunicaram à Polícia local sobre o desaparecimento de um familiar na área de Camafuca, consignada ao Projecto Calonda.

As imagens sobre a existência de uma suposta vala comum são falsas, na medida em que o único caso isolado registado, até ao momento, refere-se ao corpo do cidadão nacional, de 35 anos de idade, que, em vida, se chamou Manhonga Matos, natural da comuna de Caluango, município do Cuilo, que se encontrava enterrado, vítima de disparos de arma de fogo, cujos autores, devidamente identificados, se encontram a contas com a justiça”, salienta a nota.

O Ministério do Interior adianta que reforça a tese de falsidade das informações a circularem nas redes sociais o facto de não se indicar “a área onde se pode localizar a suposta vala comum, muito menos faz referência de vários cidadãos que reclamassem o desaparecimento de seus familiares”.

“A delegação provincial do Ministério do Interior defende o bem vida como um direito consagrado na Constituição da República e condena a atitude dos prevaricadores”, lê-se no documento, que apela aos cidadãos “a confiarem nas instituições policiais”.

Também esta segunda-feira numa conferência de imprensa, a Unita referiu que, numa visita efectuada entre 9 e 13 deste mês à Lunda-Norte, foi informada por autoridades tradicionais e pela população local da morte de dez pessoas, no sector do Calonga, município diamantífero do Lucapa, Lunda-Norte, cometida alegadamente por um grupo de efectivos das forças de defesa e segurança.

Segundo o vice-presidente do maior partido da oposição, Raul Danda, enquanto primeiro-ministro do Governo Sombra, os dirigentes da Unita que realizaram a visita foram informados pelo delegado provincial do Ministério do Interior e segundo comandante da Polícia na Lunda-Norte, subcomissário Francisco Henrique Costa, que o envolvimento de diferentes forças de defesa e segurança, incluindo o de forças especiais, na Operação Transparência – de combate à imigração ilegal e exploração ilícita de diamantes – está na origem de conflitos com a população local. “Há falta de sensibilidade de muitas delas em lidar com casos de motins, tumultos e levantamentos populares”, referiu o subcomissário Francisco Henrique Costa.