Projecto ‘Meu Padrinho, Meu Mentor’ completa três anos

Responsável agastado com falta de solidariedade

O ‘Meu Padrinho, Meu Mentor’ existe há três anos e é tutelado pelo Instituto Angolano da Juventude. Nomeado no ano passado como coordenador do núcleo, Henrique Mandande Cangari, ou simplesmente Puto Prata, em entrevista ao NG, conta os desafios, dificuldades e os objectivos já alcançados desde a sua nomeação.

Responsável agastado com falta de solidariedade
Santos Sumuesseca
O projecto, dirigido por Puto Prata, apadrinha mais de 100 c

O ‘Meu Padrinho Meu Mentor’ é um projecto social sem fins lucrativos formado por jovens e criado pelo Instituto Angolano da Juventude (IAJ). Trata-se de um projecto de formação, orientação, aconselhamento e sensibilização da juventude pelo envolvimento de jovens fazedores de opinião, na promoção de comportamentos cívicos, éticos e morais, bem como no resgate dos valores da cultura, de paz e de cidadania.

Constituído por um núcleo de mais de 200 jovens, desde jornalistas, músicos, actores, desportistas, docentes universitários, empreendedores, até por jovens que servem de referência para a comunidade onde estão inseridos.

O projecto apadrinha mais de 100 crianças carentes, já gerou 30 empregos e ofereceu mais de 50 bolsas de estudo, só este ano.

Puto Prata, coordenador do projecto, explica que o principal objectivo, enquanto responsável, é ajudar os jovens a travarem o uso excessivo de álcool e de drogas a “recuperarem destes males e mostrar-lhes o caminho certo” para que, nos próximos anos, não tenhamos uma sociedade “mutilada”.

O músico clarifica que o projecto não tem orçamento nem recebe dinheiro do Governo e que todas as acções são feitas por meio de doações de empresas, parceiros e “pessoas de boa fé”

As maiores dificuldades consistem na expansão do projecto para outras províncias e na busca de bolsas de estudo. O que o leva a considerar as universidades “muito avarentas” por, muitas vezes, “não conseguirem honrar com os seus compromissos e, em muitos casos, chegam a comprometer-se e depois não cumprem”.

Apesar de estar a gostar da experiência de gerir o projecto, o músico não sabe se vai voltar a candidatar-se a um próximo mandato, pois “tem sido muito trabalhoso e exaustivo” dirigir a iniciativa, sem contar com a falta de vontade e o espírito filantrópico dos colegas. Agastado, aponta o dedo a quem se gaba de ser solidário: “Numa margem de 100 músicos, apenas 10 são solidários, fingem ser na televisão, mas não são”.

Por isso, aconselha os artistas a despertarem o lado solidário porque, se “hoje é a Nayol Crazy (ver caixa) a precisar de ajuda, amanhã podem ser eles”, concluiu.

Apoiam o projecto o Kibabo, WR, Shoprite e outras.

 

Espectáculo para angariar fundos

A kudurista Nayol Crazy, autora dos sucessos como ‘Kibolobolo’ e ‘A dança do Chão’, que, em 2013, perdeu parcialmente a visão, vítima de uma agressão de marginais no Rangel. O problema agravou-se, o que preocupou os oftalmologistas locais. Em 2015, conseguiu ajuda monetária de artistas que se sensibilizaram e foi à Namíbia obter ajuda especializada, tendo sido diagnosticada com tumores cerebrais. Nayol Crazy precisa de apoio para realizar uma cirurgia. O projecto vai promover um espectáculo com o objectivo de angariar fundos para ajudar a artista, que deverá ser operada na Alemanha. O ‘show’ está marcado para 6 de Abril, na Cidadela Desportiva, em Luanda, com bilhetes a mil kwanzas.

 

À procura da menina

Recentemente, Puto Prata partilhou um vídeo nas redes sociais que se tornou viral, em que mostra uma menina obrigada a devolver objectos que tinha alegadamente roubado numa cantina.

A menina foi forçada a passar por uma janela minúscula, com uma pequena lata de leite na mão. Prata partilhou o vídeo com intenção de solicitar ajuda dos internautas a localizarem a míuda.

Até ao fecho desta edição, ninguém conseguiu dizer a morada nem o paradeiro da pequena, contudo, o jovem apela a quem a encontrar que entre em contacto com o projecto ‘Meu Padrinho Meu Mentor’ a fim de receber alguns bens angariados.

 

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