Há 10 anos eram 10 milhões

Só há 250 mil chimpanzés em África

A exploração de madeira e recursos minerais provocaram a destruição do habitat dos chimpanzés e ameaçam a espécie. Em 10 anos, o continente africano viu a população reduzir de dois milhões para 250 mil.

Só há 250 mil chimpanzés em África
D.R.
Chimpanzés podem desaparecer se medidas não forem tomadas.
Laia Dotras

Laia Dotras Directora adjunta do Instituto Jane Goodall

Para evitar a extinção definitiva destes primatas em perigo, essencial educar e fazer entender os problemas sócioambientais locais e poder, assim, trabalhar eficazmente na protecção do ambiente para assegurar a sustentabilidade a longo prazo.

Apenas 250 mil chimpanzés vivem actualmente no continente africano, repartidos por 21 Estados, quando há 10 anos eram cerca de dois milhões em 25 países, assegurou à agência Efe a directora adjunta do Instituto Jane Goodall, Laia Dotras.

Este “muito drástico” declive populacional é provocado “sobretudo pela perda do habitat”, devido à exploração de madeira e recursos minerais”, com destino a países ocidentais, segundo Dotras.

Entre esses recursos figura um mineral usado na microelectrónica, telecomunicações e indústria aeroespacial, que nos últimos anos se converteu num material estratégico pela aplicação nestes fins.

A estes riscos há que somar a caça furtiva, uma actividade que, de acordo com a especialista, pode considerar-se “uma das maiores crises de biodiversidade” da era actual.

A situação, na sua opinião, é “crítica” e, se não forem tomadas medidas urgentes, estes animais “não tardarão a desaparecer”.

Para evitar a extinção definitiva destes primatas em perigo é “essencial educar e fazer entender os problemas sócioambientais locais” e poder, assim, trabalhar eficazmente na protecção do ambiente para “assegurar a sustentabilidade a longo prazo”, defendeu.

O trabalho passa por incentivar o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões africanas, de forma a garantir o bem-estar da população local, gerindo ao mesmo tempo de forma correcta os recursos naturais para melhorar o estado de conservação, tanto dos chimpanzés como do seu habitat.

“A pobreza e o desconhecimento induzem muitos africanos a usar os recursos do seu meio ambiente de forma insustentável”, asseverou Dotras.

Assim acontece com o corte e queima de bosques, pelo que “muitas zonas ficam quase desertas e a terra já não se pode aproveitar para cultivar”.

Daí a importância da formação e educação ambiental das populações africanas para a conservação do ambiente e, portanto, dos chimpanzés, sustentou.

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