Rússia está preocupada e apela ao diálogo

Irão começou a enriquecer urânio acima do limite imposto

O Irão começou o enriquecimento do urânio no domingo, para 4,5 por cento, quebrando o limite estabelecido no acordo nuclear de 2015, avançou a agência semi-oficial INSA. O anúncio foi feito pelo porta-voz da Organização de Energia Atómica do Irão um dia depois do prazo limite estipulado por Teerão para quebrar o limite de 3,67 por cento estipulado no acordo nuclear assinado em 2015.

Irão começou a enriquecer urânio acima do limite imposto
D.R.
Teerão ameaçou afastar-se do acordo aplicando novas medidas.

No domingo, ao fim dos primeiros 60 dias, o Irão começa a enriquecer urânio ultrapassando o limite de 3,67 por cento estabelecido pelo acordo de Viena.

Ao mesmo tempo, Teerão alertou hoje, segunda-feira (8), a Europa sobre a escalada da tensão provocada pelas posições que exigem ao Irão reduções no programa nuclear, enquanto fez Moscovo manifestou a sua preocupação e apelou ao diálogo e a China falou em “intimidação” dos EUA.

“Se certos países que fizeram parte do acordo (sobre energia nuclear do Irão) se comportarem de forma estranha e incompreensível, nós ultrapassaremos todas as etapas seguintes (do plano de redução) e passaremos à última etapa”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Moussavi, durante uma conferência de imprensa em Teerão.

Moussavi respondia à pergunta sobre a atitude a adoptar por Teerão caso os “europeus venham a reagir de forma vigorosa” à atitude do Irão, mas não especificou a natureza do que classificou “última etapa”.

Paris, Londres e Berlim constituem as três partes europeias no quadro do acordo internacional sobre energia nuclear iraniana, concluído em 2015.

O pacto ficou ameaçado depois da retirada unilateral dos Estados Unidos em Maio de 2018 restabelecendo as sanções económicas contra a República Islâmica.

No passado dia 8 de Maio, um ano após o anúncio norte-americano, Teerão informou que iria começar a afastar-se de certos pontos do acordo de Viena no sentido de forçar as outras partes a ajudar a contornar as sanções dos Estados Unidos.

Teerão ameaçou afastar-se do acordo aplicando novas medidas de dois em dois meses (60 dias).

No domingo, ao fim dos primeiros 60 dias, o Irão começa a enriquecer urânio ultrapassando o limite de 3,67 por cento (cifra relativa ao conteúdo do isótopo de urânio 235) estabelecido pelo acordo de Viena.

Através de comunicados individuais, Londres e Berlim exortaram Teerão a ponderar a decisão e Paris demonstrou mesmo “grande inquietação”, pedindo ao Irão para cessar toda a actividade que “não está conforme” o tratado.

Respondendo à questão de um jornalista sobre se o Irão admite abandonar o acordo de Viena e sair do Tratado de Não Proliferação Nuclear, Moussavi repetiu que Teerão considera todas as opções.

“Todas as opções, e essas também, são possíveis no futuro, mas nenhuma decisão foi tomada”, respondeu o porta-voz da diplomacia iraniana.

Moscovo está preocupado e apela ao diálogo

Já o Kremlin manifestou esta segunda-feira preocupação com a decisão de Teerão, apelando à “continuação do diálogo” com os iranianos.

“A Rússia quer acima de tudo continuar o diálogo e os esforços na frente diplomática”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusando os Estados Unidos de serem responsáveis pelas actuais tensões.

“A Rússia e o Presidente Vladimir Putin advertiram sobre as consequências que aconteceriam, inevitavelmente, se um dos Estados que fizesse parte do acordo colocasse fim às suas obrigações e se retirasse. Constatamos hoje com pesar essas consequências”, declarou Peskov.

China denuncia “intimidação” dos EUA ao Irão

Também a China se manifestou, apontando a “intimidação” exercida pelos Estados Unidos como a causa pela actual crise no Irão, que anunciou que retomaria o enriquecimento de urânio a um nível superior ao estabelecido no acordo nuclear de 2015.

A pressão máxima exercida pelos Estados Unidos sobre o Irão é a fonte da crise nuclear iraniana”, disse Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em conferência de imprensa.

A decisão de Teerão coloca ainda mais pressão sobre a China e os países europeus signatários, após a retirada unilateral dos Estados Unidos.

“Os factos revelam que o assédio unilateral está a tornar-se um problema crescente, gerando problemas e crises em todo o mundo”, apontou o porta-voz chinês. Teerão diz que a decisão de quebrar gradualmente com alguns dos compromissos visa salvar o acordo.

A decisão de Teerão ocorre numa altura de renovada tensão entre os Estados Unidos e o Irão, aumentando os receios de um conflito na região do Golfo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu no domingo ao Irão que seja “cauteloso”.

 

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