Os alunos cujos seus pais…

Professor Ferrão

Como digo, é, ou seja, deve ser a escola o local no qual os alunos se inspiram, buscam os melhores conhecimentos, os valores éticos, morais, cívicos e, como não podia deixar de ser, linguísticos. Este último, por exemplo, não devia ser um ‘calcanhar de Aquiles’ para quem quer que fosse o professor. Não me refiro ao português técnico pedagógico ensinado aos estudantes de especialidade no médio ou no superior. Não! Todo o professor que tenha concluído a universidade tinha, repito, tinha de poder apresentar uma postura correcta no que à língua portuguesa diz respeito. Não se está a exigir que devam falar que nem Camões. Não se pretende que falem como os portugueses. Seria o extremismo. Aliás, Angola há séculos que se distanciou, do ponto de vista da oralidade, se é que alguma vez isso aconteceu, do português europeu. Não queremos ‘finúrias’ ruidosas que até podem criar otites. O registo de língua que se exige de um professor é o padrão – de simples compreensão, com vocabulário compreensível, frases curtas, pouco redundantes e, se possível, com os ‘s’ devidamente pronunciados para a marcação do plural.

Falar bem, para um professor, significa ser coerente e coeso. Ou seja, deve exprimir-se uma ideia com sentido lógico e com frases gramaticalmente bem estruturadas. Dizer “os alunos cujos seus pais não aparecerem serão punidos” não leva ninguém à cruz. Percebe-se perfeitamente a mensagem. É uma frase coerente. No entanto, ‘peca’ por falha de coesão. Há uma repetição que pode ser evitada. Podia ficar apenas “os alunos cujos pais não aparecerem…”. Cujo/a (s) é um determinante relativo e significa de que; de quem;  do qual,  da qual,  dos quais,  das quais.

É, pois, desnecessário dizer “esta é a menina cuja mãe dela falou comigo”. Deve optar-se, preferencialmente, pela seguinte frase: “esta é a menina cuja mãe falou comigo”. Deve também optar-se pelas seguintes frases:

Este é o autor a cuja obra me referi. (ao invés de ‘este é o autor cuja obra dele me referi’).

Aquela é a senhora com cuja filha me casei. (ao invés de ‘aquela é a senhora que casei com a filha dela).

Este é o meu amigo por cuja irmã me apaixonei. (ao invés de ‘este é o meu amigo que me apaixonei pela irmã dele).