A Maria não quero

Professor Ferrão

Tem dois anos apenas, mas parece ter muito mais. As tias mal conseguem contrariá-la e só o que ela coloca na cabeça é o que deve ser feito. Algumas manias e caprichos são atendidos, como ouvir música no ipad das tias, ver televisão com o controlo remoto só para ela, comer três iogurtes quando deveria ter um apenas e dormir no cadeirão da sala em frente à televisão.

Tem dois anos apenas, mas parece ter muito mais. As tias mal conseguem contrariá-la e só o que ela coloca na cabeça é o que deve ser feito. Algumas manias e caprichos são atendidos, como ouvir música no ipad das tias, ver televisão com o controlo remoto só para ela, comer três iogurtes quando deveria ter um apenas e dormir no cadeirão da sala em frente à televisão.

Mas tem alguns que tiram até a própria mãe do sério. “Pum pum” só na fralda. Ela prefere ficar o dia todo apertada a fazer no bacio, no qual ela voluntariamente faz chichi. “Fralda, fralda”, exige a menina já muito aflita. “Está aqui o bacio, faz aqui no bacio, nené”, roga a ama, que queria poupar a última fralda que restava naquele dia.

Sem saber o que fazer, a senhora liga para a mãe da menina e explica o que se estava a passar. “Conversa bem com ela, talvez consigas convencê-la”, sugere a mãe. “Eu já tentei, mana. Ela não quero”, esclarece a ama. E a menina insistia que só faria na fralda. 

Para a ama, os pais tinham de ser mais “rigorosos”, porque, se assim continuasse, com muitos mimos, a menina poderia ter maus hábitos e, depois, nem os próprios pais conseguiriam resolver o problema.

Os pais sabem que a flexibilidade tinha de ter limites, mas também sabiam que era questão de tempo e de alguma paciência. “Ela tem apenas dois anitos”, lembra o pai. “O meu pai ensinou-me que é de pequeno que se torce o pepino. Ela tem de começar a aprender já essas coisas básicas, porque, quando for à creche, poderá ter muitos problemas”, alerta a ama, insistindo que “a menina não pode fazer só o que ela quero”. 

A sua preocupação era, em certa medida, compreensível porque muitas amas na creche não são pacientes para trocar fraldas às crianças. “Se for já preparada, melhor”, reforça.

Melhor também será se a ama puder ensinar outras coisas à menina, como falar correctamente, através de canções infantis, que, quando bem compostas, transmitem uma boa mensagem e um bom comportamento sobre a língua. Aí não se vai tratar de querer ou não, mas de aprender, por exemplo, que ‘quero’ é a forma correspondente à primeira pessoa do singular ‘eu’. Quer queira, quer não, aprenderá que quando se tratar de ‘ela’, deverá seleccionar ‘quer’. 

 

Com o tempo, saberá que os pais não lhe vão poder dar tudo o que ela quer, quando ela quer e do modo que ela quer.