Turismo e segurança

Não é a primeira vez que destacamos a visível intenção do Governo de impulsionar o investimento no Turismo. Nos últimos tempos, foram tomadas algumas medidas de peso que, ao procurarem resultados mais abrangentes em matéria do investimento privado, devem impactar positivamente no turismo. A mais relevante foi o ajustamento da lei do investimento privado que se tornou mais apetecível ao capital estrangeiro. A outra foi a flexibilização dos processos de emissão de vistos. Essas medidas combinadas devem proporcionar resultados a médio prazo, sobretudo se se concretizarem as perspectivas que apontam para uma evolução mais favorável do quadro macroeconómico a partir dos próximos dois a três anos.

A realização do Fórum Mundial do Turismo em Luanda é uma decisão ainda mais concreta que se junta a esse rol de intenções de dinamização do sector. Os números das promessas de investimento falam por si. Mil milhões de dólares em cinco anos resultam num investimento médio de 200 milhões de dólares por ano, o que, a concretizar-se, é verdadeiramente significativo para um país como Angola.

Mas, como é sabido, a transversalidade da indústria do turismo exige uma actuação também transversal na remoção dos obstáculos. E aqui não se trata apenas da velha questão da melhoria das vias de acesso e da qualificação dos serviços, por via da formação.

A qualidade da segurança é indiscutivelmente uma condicionante crítica e, nesta matéria, o país tem muito pouco de que se orgulhar. Em relatórios internacionais Angola e, muito particularmente, a sua Luanda são repetidas vezes catalogadas como zonas inseguras, em matéria de delinquência e violência urbana. Nos últimos anos, aliás, tornou-se recorrente as representações diplomáticas relevantes (como a norte-americana, a inglesa, a francesa e até mesmo a portuguesa) emitirem alertas para os respectivos cidadãos para os cuidados a ter-se em Luanda. E as notícias insistentes de raptos e assassinatos de cidadãos estrangeiros, com realce para portugueses e chineses, só confirmam os receios, especialmente de quem nos ouve de fora. Portanto, contra factos, não há argumentos. O investimento na segurança tem de acompanhar necessariamente esse vendaval de intenções virado para o turismo. Ângela Bragança tem, por isso, muito a concertar com os seus pares. E, estando colocada entre os mais próximos e preferidos do casal Lourenço, não é esperado que tenha a tarefa dificultada.