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Profissionais na diáspora reforçam selecção

A Selecção Nacional cumpre hoje (segunda-feira, 29), uma jornada pela defesa da honra na já fracassada campanha de apuramento ao próximo CAN.

Profissionais na diáspora reforçam selecção
D.R

Entre outros factores, foram apontadas como causas das ausências, pelo seleccionador, as restrições inerentes à pandemia da covid-19 que assola o mundo

Para esta empreitada, diante do Gabão, a selecção poderá contar com a maioria dos convocados vindos do exterior, numa altura em que o país já não tem como cumprir o objectivo.

A não integração destes atletas no jogo contra a Gâmbia, na quinta-feira, em Banjul, poderá ter tido forte influência na derrota de 0-1 que ditou a eliminação do país, pelo que, até hoje, pairam dúvidas em relação aos verdadeiros propósitos da selecção.

A olhar pelo cenário actual, fica difícil, para muitos, compreender a questão da manutenção destes profissionais na lista de convocados para um jogo já sem qualquer ganho, em termos de objectivos.

Em concreto, o jogo contra o Gabão não passa de mera "consolação", sem efeito na classificação final, pelo que se poderia, eventualmente, abdicar dos "internacionais" para efeitos de contenção de receitas.

É certo que os jogadores foram convocados a 12 deste mês, para o duplo compromisso (5.ª e 6.ª jornadas), numa altura em que havia ainda alguma "luz no fundo do túnel", por serem considerados preponderantes.

Com a integração na dupla jornada, o país sonhava poder inverter um quadro já quase "impossível" e continuar a sonhar com o CAN-2022, mas razões alheias ditaram o retardamento da chegada dos jogadores.

Entre outros factores, foram apontadas como causas das ausências, pelo seleccionador, as restrições inerentes à pandemia da covid-19 que assola o mundo.

Conquanto, com excepção de Bastos Quissanga (Al-Ain da Arábia Saudita), nenhum dos recém-integrados informou previamente que só estaria disponível na última jornada, levando à "dispersão" de recursos públicos, nesta altura indispensáveis para o Estado.

A bom rigor, foi-lhes reservada a dupla ronda para que pudessem ajudar o país na materialização do sonho do apuramento, mas, paradoxalmente, só se juntaram ao grupo na última sexta-feira (dia 26).

Não tendo sido possível participar do jogo contra a Gâmbia, era expectável que a Federação Angolana de Futebol (FAF) ponderasse a vinda dos profissionais e aproveitasse o último jogo para "rodar" a "prata" da casa.

Apesar das valências individuais, é pouco crível que num jogo já quase sem história, Núrio Fortuna (Gent da Bélgica), Ricardo Baptista (Gaz Metan da Roménia), Anderson Cruz (Rio Ave de Portugal) e outros façam valer as suas qualidades e tirem partido do seu ritmo competitivo.

Todavia, o seleccionador nacional, Pedro Gonçalves, justifica a integração dos mesmos com a necessidade de começar a preparar o plantel para as eliminatórias do Mundial do Qatar, em 2022.

Porém, essa estratégia levanta dúvidas, na medida em que, depois do jogo contra o Gabão, o grupo só volta a concentrar-se praticamente em finais de Maio para a próxima frente.

Dito de outro modo, após o desafio de segunda-feira, os atletas regressarão aos seus clubes e não voltam a se juntar tão cedo, interrompendo, na prática, o hipotético ciclo de jogos para melhor entrosamento.

A julgar pelo espaçamento previsto entre o último jogo de qualificação ao CAN e o recomeço da corrida ao Mundial do Qatar, não seria de todo "fatal" abdicar dos atletas, poupar recursos e contar com a sua experiência a partir de Maio próximo.

Diante desta realidade, fica no ar uma questão que agita os amantes do futebol: é precipitada ou acertada a manutenção dos profissionais da diáspora na convocatória, quando Angola já não tem qualquer chance de qualificação?

Em cinco jornadas, Angola ocupa a última posição com 1 ponto, na série que apurou já a Gâmbia e o Gabão, com 10 cada, ao passo que a República Democrática do Congo está no terceiro lugar, com 6.

As derrotas por 1-3, em Luanda, diante da Gâmbia, por 1-2, em Libreville, frente ao Gabão, 0-1, em Luanda, ante a RD Congo, assim como o empate nulo com este último, em Kinshasa, e agora novo desaire (0-1) frente aos gambianos, em Banjul, “espelham” a fraca capacidade técnico-competitiva dos Palancas Negras.

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