Avaliada em 130 mil milhões de kwanzas

Oficiais admitem manifestar-se nus para exigir pagamento de dívidas

Oficiais generais e subalternos reformados de Angola pediram esta quinta-feira, a intervenção do Presidente da República para liquidar a dívida do Estado, avaliada em 130 mil milhões de kwanzas, admitindo manifestarem-se "nus” até ao Palácio Presidencial, avança à Lusa.

Oficiais admitem manifestar-se nus para exigir pagamento de dívidas
D.R

Os oficiais generais, superiores, capitães e subalternos reformados de Angola queixam-se de cortes nas suas pensões de reforma e nos subsídios de empregadas domésticas desde 2009, afirmando estar atirados à sua sorte e sem quaisquer meios de subsistência para as famílias.

A “indignação” dos ex-oficiais na reforma, viúvas e órfãos foi apresentada esta quinta-feira à imprensa numa denúncia pública onde espelham o quadro “crítico e dramático” em que se encontram os mais de 1.600 membros associados.

Mais de 300 pessoas, entre oficiais reformados, viúvas e órfãos, “agastados com a situação”, participaram no encontro, que decorreu nas instalações da antiga Feira Popular de Luanda.

O presidente da Associação dos Oficiais Generais, Superiores, Capitãs e Subalternos Reformados de Angola, José Alberto “Limuqueno”, pediu “encarecidamente”, na ocasião, a intervenção do Presidente para a liquidação da dívida por grau de patente.

Para o brigadeiro de 65 anos, reformado compulsivamente em 2004, a penalização de que dizem ser alvo tem origem no decreto-lei 16/94 de 10 de Agosto que, de “forma injusta”, salvaguarda apenas pensões para quem tenha 30 20 anos nas Forças Armadas Angolanas (FAA).

“Os descontos que nos são feitos são incalculáveis e mergulhámos todos em pobreza extrema por não termos 30 anos das FAA, que foram fundadas em Outubro de 1992. Elas [as FAA] não têm nada ver connosco por que já éramos militares antes das FAA”, disse.

Segundo o oficial na reforma, os cortes nas pensões e nos subsídios para empregadas domésticas tiveram início em 2009 e há 11 anos que os associados são “penalizados” com cortes mensais entre os 70.000 e 200.000 kwanzas.

A dívida total acumulada, disse, está avaliada em 130 mil milhões de kwanzas.

Um pagamento parcial da dívida também é defendido pelos oficiais generais, superiores, capitãs e subalternos na reforma, que não aceitam o "argumento da crise internacional ou da covid-19” para a solução de seus problemas.

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