O relógio

O relógio

Não o do velho Trinta. O que anda no seu pulso. Marca horas? Era outra a serventia, doutora, quando o relógio suíço, de corda, ainda não eram os a pilha, tinha elevado valor no pulso ou fora dele, dando charme ao homem que o carregava, mas dando também horas certas para o trabalho, compromisso com a namorada marcado via bilhete ou telefone fixo. Era outro tempo e outras utilidades.

Com o relógio suíço vieram outras marcas e outros adornos: metal dourado, circunferência ou rectângulo e bracelete diamantados. Os adornos vão, hoje, desafiando a imaginação e o bolso. Quem tem dinheiro tem relógio e quem não tem valores usa qualquer coisa parecida a relógio. Com os adornos vieram outros hábitos. Enquanto periférico para a indumentária de homens e mulheres, o relógio mantém-se nos pulsos.

Só as horas é que nem sempre mostra. Vejamos: homens e mulheres que não se desgrudam dos ‘dikumbi’ quando perguntado “que horas são”? Raras vezes, enviam os olhos ao pulso que carrega o telefone. A mão vai ao bolso, saca o telefone e deste lêem a hora.

Muitos utilizadores de hoje ignoram a numeração romana que era (são) frequente nos relógios doutro (e desse) tempo. Expressões costumeiras como “um quarto para as dez”, “cinco e meia” ou “passam cinco das dez” deixaram de ser ouvidas, sobretudo da boca dos mizangala que usam as colecções mais vistosas dos últimos lançamentos das principais marcas.

Os relógios não desapareceram. As fábricas continuam a produzir relógios com cada vez mais requinte. O seu uso continua a ser apregoado, porém, apenas como adereço decorativo. Já não ‘emite’ horas. Muitos estão avariados e há muito!

Leve agora os olhos ao seu antebraço que transporta o relógio e diga, em voz audível, que horas marca.