O caso da viúva (II)

Perdida a batalha judicial pela casa, a viúva Filomena Mambumonso desconseguiu de dizer não à proposta do cunhado, casa comigo, por favor, esquece o meu primo, ele já morreu, caminho agora é para frente, até porque tu tens dois filhos para criar e não devias cometer o erro de desperdiçar um homem que te quer dar tudo, exigindo apenas que o ames.

Embora encontrasse nas palavras do advogado alguma arrogância machista, a jovem Filomena incomodava-se mais com a possibilidade de se casar com um velhote de 64 anos, boca tipo peixe baiacu, uma extensa barriga de cerveja e, ainda por cima, com conhecidos problemas de impotência sexual!

Por isso, no dia do casamento, foi com muita dificuldade que Filomena Mambumonso entrou na igreja a sorrir. Dona de um corpo generoso, ia enfiada num apertado vestido cor de neve, que lhe realçava a mbunda e as matabelas, para a alegria dos convidados homens, enquanto as senhoras, sobretudo as encalhadas, duvidavam que uma mulher com dois filhos ainda tivesse xuxas que dispensavam o uso do sutiã.

 

Os primeiros meses foram de intenso trabalho para Filomena, que se entregara a um frenético kukulo kukulo, misturando ‘pau de Cabinda’ com ‘jolamiongo’, ‘timbatimba’ com ‘tangawisi’, nas fracassadas tentativas de ‘reanimar’ o marido.

Por isso, algum tempo depois, a jovem não teve qualquer remorso quando passou a encontrar na rua o que lhe faltava em casa, protagonizando a versão angolana de ‘Madame Bovary’, com sessões que começavam com o jardineiro e terminavam com o canalizador. Foi, entretanto, com o motorista do marido que Filomena Mambumonso teve o caso mais sério, chegando mesmo a engravidar duas vezes. Na primeira, o aborto decorreu sem sobressalto. Na segunda, o médico colocou um travão, minha senhora, é muito arriscado, o útero ainda não se recompôs.

Então, sabendo que o esposo impotente duvidaria da paternidade do filho, a mulher traçou um plano que o motorista executou de forma brilhante: numa das saídas com o patrão, simulando que ia comprar qualquer coisa, o jovem estacionou o ‘turismo’ (com o patrão lá dentro) numa zona onde o trânsito se fazia à velocidade de avião, pelo que o senhor teve morte imediata, depois de um camião embater violentamente na viatura, fazendo toda a gente lamentar que uma trintona como Filomena Mambumonso passe pela amargura de enviuvar (pela segunda vez!) no preciso momento em que daria um filho ao marido!

Perdida a batalha judicial pela casa, a viúva Filomena Mambumonso desconseguiu de dizer não à proposta do cunhado, casa comigo, por favor, esquece o meu primo, ele já morreu, caminho agora é para frente, até porque tu tens dois filhos para criar e não devias cometer o erro de desperdiçar um homem que te quer dar tudo, exigindo apenas que o ames.

Embora encontrasse nas palavras do advogado alguma arrogância machista, a jovem Filomena incomodava-se mais com a possibilidade de se casar com um velhote de 64 anos, boca tipo peixe baiacu, uma extensa barriga de cerveja e, ainda por cima, com conhecidos problemas de impotência sexual!

Por isso, no dia do casamento, foi com muita dificuldade que Filomena Mambumonso entrou na igreja a sorrir. Dona de um corpo generoso, ia enfiada num apertado vestido cor de neve, que lhe realçava a mbunda e as matabelas, para a alegria dos convidados homens, enquanto as senhoras, sobretudo as encalhadas, duvidavam que uma mulher com dois filhos ainda tivesse xuxas que dispensavam o uso do sutiã.

 

Os primeiros meses foram de intenso trabalho para Filomena, que se entregara a um frenético kukulo kukulo, misturando ‘pau de Cabinda’ com ‘jolamiongo’, ‘timbatimba’ com ‘tangawisi’, nas fracassadas tentativas de ‘reanimar’ o marido.

Por isso, algum tempo depois, a jovem não teve qualquer remorso quando passou a encontrar na rua o que lhe faltava em casa, protagonizando a versão angolana de ‘Madame Bovary’, com sessões que começavam com o jardineiro e terminavam com o canalizador. Foi, entretanto, com o motorista do marido que Filomena Mambumonso teve o caso mais sério, chegando mesmo a engravidar duas vezes. Na primeira, o aborto decorreu sem sobressalto. Na segunda, o médico colocou um travão, minha senhora, é muito arriscado, o útero ainda não se recompôs.

Então, sabendo que o esposo impotente duvidaria da paternidade do filho, a mulher traçou um plano que o motorista executou de forma brilhante: numa das saídas com o patrão, simulando que ia comprar qualquer coisa, o jovem estacionou o ‘turismo’ (com o patrão lá dentro) numa zona onde o trânsito se fazia à velocidade de avião, pelo que o senhor teve morte imediata, depois de um camião embater violentamente na viatura, fazendo toda a gente lamentar que uma trintona como Filomena Mambumonso passe pela amargura de enviuvar (pela segunda vez!) no preciso momento em que daria um filho ao marido!