Depois de perder mais de 30 milhões de kwanzas

Nova greve ameaça CFL

A empresa que assegura a manutenção da linha férrea pode parar por falta de pagamento de salários. O porta-voz dos Caminhos de Ferro de Luanda reconhece que a falta de manutenção das vias pode levar a descarrilamentos. No entanto, assegura que jamais deixará as linhas sem pessoal.

Nova greve ameaça CFL
D.R.
Augusto Osório

Augusto Osório porta-voz dos CFL

A possível paralisação poderá precipitar a interrupção dos comboios, havendo o risco de descarrilamento face ao lixo que é depositado diariamente nesses locais.

Os Caminhos-de-Ferro de Luanda enfrentam uma nova crise depois de já terem perdido 49 milhões de kwanzas, face à última paralisação de 39 dias. Em menos de uma semana do levantamento da greve do quadro efectivo, os trabalhadores do Projecto Vias Limpas, subcontratado para a limpeza e controle da via-férrea, da zona do Bungo até ao Tungangó, ameaçam cruzar os braços.

Em causa estão quase sete meses de salários em atrasos, além da falta de equipamentos. A possível paralisação poderá precipitar a interrupção dos comboios, havendo o risco de descarrilamento face ao lixo que é depositado diariamente nesses locais.

Não é a primeira vez que os trabalhadores do Projecto Vias Limpas ficam meses sem pagamentos. Segundo os próprios, os atrasos salariais ocorrerem desde o primeiro mês em que a entidade começou a operar, em Maio do ano passado. “A empresa começou a dever-nos logo no início. Tivemos de trabalhar até Julho, só para obter o dinheiro de Maio. E fomos vivendo assim. Desde Janeiro deste ano que não recebemos”, conta um dos trabalhadores.

Para lá das “constantes demoras” da prestação, os trabalhadores também se queixam da não “substituição dos equipamentos de trabalho”.

Geraldo Tchacone, director do Projecto Vias Limpas, reconhece os atrasos, mas justifica com a falta de pagamento da prestação por parte da "contratante". Mas destaca haver negociações para a liquidação da dívida. "Os Caminhos-de-ferro garantem que vão pagar, mas só depois de ultrapassada a crise. Têm ainda muitos problemas internos e os nossos trabalhadores sabem disso, porque explico sem reservas", garante Geraldo Tchacone. Acrescenta já ter considerado a hipótese de retirar a empresa do local e regressar assim que os CFL tivessem disponibilidade financeira, mas recuou por temer que outra companhia fosse substituí-la. "Os Caminhos-de-Ferro são o nosso único cliente e há muitas empresas que ambicionam o nosso espaço” enfatiza, lamentando ter perdido "muitos trabalhadores" por causa da crise.

 

CFL nega relação com ´Projecto Vias Limpas´

Os CFL negam ter relações contratuais com o ´Projecto Vias Limpas´. Segundo o porta-voz da empresa, Augusto Osório, os CFL confiaram a tarefa a um grupo de jovens moradores das zonas adjacentes à via-férrea, dado que o pessoal que desempenhava esse trabalho foi transferido para Kwanza-Norte e Malanje, bem como noutras áreas em Luanda.

E presume que o grupo contratado terá se organizado em projectos e “subcontratado outras pessoas” a quem paga parte do dinheiro que recebe dos CFL. “E é bom reter que não pagamos salários a estes jovens. Pagamos uma prestação em função do trabalho que fazem. Ou seja, se durante o mês nada fizerem, não pagamos”, explica o porta-voz, que aponta a greve de mais de um mês como responsável pelos atrasos na prestação dos jovens.

Embora sem poder precisar o valor da dívida, Augusto Osório assegura que os CFL vão pagar. E manifesta-se despreocupado quanto à ameaça de paralisação por a empresa não ter sido notificada neste sentido. “Mas se houver paralisação, teremos de encontrar outras soluções, porque os amontoados de lixo podem forçar a suspensão dos comboios ou, no extremo, provocar descarrilamento”, sublinha o responsável, que se diz satisfeito com os trabalhos até aqui desenvolvidos pelo grupo.