Ñana Kakuengu e Ñana Ñunji

Reza a oratura que... existiu em terras de Kuteka, Lubolu (Libolo), entre os anos 1870 – 1930, um cidadão de nome Kabanga ‘Soba Ngana Kakungu’, originário de Banza de Mukongu, de onde fora enviado para a região de Ndala-ya-Xipo (Dala-Caxibo), Kibala, onde desencadeou lutas expansivas do ‘reino’ e contra a presença europeia. Esse, sempre que voltasse vitorioso, trazia como troféu uma esposa. Era, por isso, senhor de muitas mulheres e muitos filhos.

Quando se dá a sua morte, por traição, na comunidade de Mbanze-yó-Teka (Banza ou capital de Kuteka), Munenga, as suas várias esposas foram distribuídas pelos sobrinhos (kulundula ou levirato), para que dessem continuidade à criação dos irmãos (primos) e à sua campanha expansionista e defensiva em relação ao branco. A tradição oral narra que a sua cabeça foi decapitada e levada por militares portugueses à Fortaleza de Luanda. Soba Ngana Kakungu ou Kabanga tem muitos homónimos (consanguíneos ou não) sendo alguns de sua descendência António José Cabanga (ex-árbitro de futebol em Luanda) Jacinto Abreu ‘Cabanga’, o Cabanga, que é soba da aldeia de Muxinda, em Malanje, entre outros.

Antes da aventura militar, pelo Kuteka (comuna de Munenga), Ngana Kakungu trabalhou como contratado na fábrica de pólvora, em Luanda, cuja experiência lhe permitiu fabricar armas rudimentares (kanyangulu) com que procurou contrapor a ocupação colonial e estender a influência (dos Lubolu) na região de Ndala-ya Xipo.

Enquanto pertencente ao grupo de ascendência Ngola, a história de Ñana Kakungu assemelha-se à dos Reis Nzinga e Ngola Mbandi. Portanto, não se trata de um soba qualquer.

Kitinu Kanyanga ou Ñana Ñunji (o Senhor Suporte/Guardião), seu sobrinho, substituiu-o no trono em Mbaze-yó-Teka (capital de Kuteka), vindo a dirigir aquele povo até vésperas da Independência de Angola.

Fonte: Recolha oral na região de Kuteka com José Kilombo Albano/2018

 

 

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