90 empregos ameaçados

N’gola e Coca-Cola despedem

N’gola e Coca-Cola despedem

A cervejeira N’gola e a fábrica Coca-cola, ambas detidas pela sul-africana Castle há cinco anos, estão a preparar um despedimento colectivo de 94 trabalhadores ainda este mês, sendo 72 na primeira e 22 na de refrigerantes.

De acordo com uma fonte ligada ao sindicato de trabalhadores das duas fábricas, os maiores empregadores da província, a direcção da empresa ainda não entrou em negociações com os trabalhadores, mas já existe uma lista elaborada, sendo que o foco vai para alguns administrativos e operários.

A empresa está a negociar com o sindicato um pacote “especial” de indemnizações. Até agora, ficou-se pelo acréscimo de 30 por cento do que a lei prevê, revela a fonte sindical. Contactada pelo NG, a direcção prometeu pronunciar-se sobre o assunto “no momento cetro”.

Já o secretário-geral do Sindicato das Indústrias de Bebidas e Similares de Angola garantiu continuar a dialogar com os empregadores de empresas filiadas para se acautelar casos do género, que ultimamente se têm verificado.

Gonçalves João Brandão  recordou que há uma luta, desde 2015, com os empregadores para que, em vez de despedimentos colectivos, se procure acertar negociações colectivas.

Sem revelar o número de trabalhadores já despedidos, o líder sindical acredita que são milhares, o que “pressupõe um impacto social negativo na vida das famílias, pelo que é uma das preocupações em que o sindicato tem estado a apostar, persuadindo alguns empregadores a criar mecanismos de permanência dos seus quadros. “Temos situações muito antagónicas porque, no ponto de vista dos empregadores, reduzir os trabalhadores por via de despedimento colectivo é uma solução, mas do ponto de vista sindical há outras alternativas, como acordos colectivos laborais, isto é, mecanismos para se conseguir manter estes funcionários dentro do circuito de trabalho”, reforçou.

O sindicato conta aproximadamente com seis mil filiados, mas em 2014 tinha 15 mil, integrados em 29 empresas de indústrias, sendo Luanda com 12, Huíla, Benguela, Huambo e Kwanza-Norte com três cada e Cabinda com apenas duas.

A N’gola fez parte das empresas do Estado alienadas a privados na década de 1990, tendo em 2007 sido entregue a gestão à francesa Sabmiller até 2013, altura que foi vendida à Castle.