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Congresso histórico marcado para sábado

MPLA troca de líder 39 anos depois

Sob o lema ‘Com a força do passado e do presente, construamos um futuro melhor’, o MPLA realiza o 6.º congresso, que vai ser histórico. Quase 40 anos depois, José Eduardo dos Santos passa a pasta a João Lourenço, actual Presidente da República e que foi um dos delfins do líder do MPLA. São esperados cerca de três mil delegados, todos militantes do partido, e centenas de convidados nacionais e estrangeiros.

| Valdimiro Dias
MPLA troca de líder 39 anos depois

A eleição de João Lourenço como presidente do MPLA e um debate para reajustar o plano de desenvolvimento económico e social de Angola vão centralizar o 6.º congresso extraordinário do partido que governa Angola desde 1975.

A reunião magna, marcada para este sábado, 8 de setembro, sob o lema “Com a força do passado e do presente, construamos um futuro melhor”, vai albergar cerca de três mil delegados, militantes do partido, aos vários níveis, e centenas de convidados.

Mais do que as decisões políticas, o conclave vai ficar marcado pelo acto histórico que é a sucessão de José Eduardo dos Santos, quase 40 anos depois de ter assumido o poder. O ainda líder do MPLA cumpre assim com a palavra dada de que iria abandonar a política activa em 2018. A transição deverá ser pacífica, considerando a existência de apenas uma candidatura. Nos últimos tempos, têm crescido os comentários sobre a existência de uma suposta bicefalia entre o chefe de Estado angolano e vice-presidente do MPLA, João Lourenço, e o líder do partido, José Eduardo dos Santos, em que se incluem críticas internas sobre os rumos do MPLA.

José Eduardo dos Santos, de 76 anos, anunciou em 2016 que deveria deixar a vida política activa este ano, tendo confirmado a sua saída, na última sessão extraordinária do Comité Central do MPLA, realizada a 25 de maio, argumentando que “tudo o que tem um começo tem um fim”. Na reunião do Comité Central, que preparou a realização do Congresso, José Eduardo dos Santos defendia que esta transição era a que “todos desejamos” e desafiou a que se procedesse “de forma pacífica, normal, natural, sem quaisquer sobressaltos, demonstrando-se assim a maturidade política do MPLA, como um partido com mais de 60 anos de existência que soube sempre superar momentos difíceis, congregar os seus militantes, mobilizar o povo e manter a sua unidade e coesão para alcançar as vitórias mais retumbantes da história moderna de Angola”. José Eduardo dos Santos desafiou ainda que o MPLA demonstre, no congresso, “unidade e coesão política e ideológica.”

O Comité Central, após consulta nos comités provinciais e com base na documentação de suporte ao Processo de Transição Política na Liderança, manifestou a sua concordância e decidiu convocar um Congresso Extraordinário, aprovando a candidatura de João Lourenço à presidência do MPLA.

O congresso ainda vai votar três projectos de resolução, propostos pelo Comité Central, todos ligados à figura de José Eduardo dos Santos, que será condecorado com os títulos de ‘Presidente Emérito do MPLA’, ‘Membro Honorífico do Comité Central’ e ‘Militante Distinto do MPLA’.

Antes do congresso, um pouco por todo o país, o MPLA organizou diversas homenagens a José Eduardo dos Santos, aproveitando a data, 28 de Agosto, do seu aniversário. No entanto, o próprio homenageado evitou aparecer em público, tendo apenas participado numa festa de aniversário na academia de futebol que ele próprio criou.

No sábado, o MPLA vai eleger como líder do partido João Lourenço, o actual Presidente da República, escolhido pelo partido para encabeçar a lista candidata às eleições de Setembro de 2017. Um ano depois de ganhar as eleições, João Lourenço, nascido em no Lobito há 64 anos, vai passar a liderar um partido que ele conhece como (quase) ninguém. Fez toda a carreira política no interior do MPLA, de comissário provincial a secretário-geral. Fora do partido, foi deputado e vice-presidente da Assembleia Nacional, entre 2003 e 2014, e ministro da Defesa de 2014 a 2017.