Projecto ‘Nós podemos’ vai criar turmas em templos da igreja

Governo e Metodista juntos no combate ao analfabetismo

A igreja vai disponibilizar os templos, para servirem de salas de aula; e os fiéis que já saibam ler, para servirem de alfabetizadores. Ao Ministério da Educação, caberá formar os formadores e garantir o material didáctico, além de atribuir certificados a quem aprender a ler e escrever. É o resumo do acordo assinado na semana passada, que ainda não definiu o número de beneficiados.

Governo e Metodista juntos no combate ao analfabetismo
Mário Mujetes
Representantes do MED e Metodista selam acordo.
Evaristo Pedro

Evaristo Pedrodirector nacional da Educação de Adultos

A partir de agora, vamos criar todas as condições para que, em Outubro, comecemos com as aulas.

O Ministério da Educação (MED) e a Igreja Metodista Unida de Angola assinaram, na semana passada, em Luanda, um protocolo para a implementação do projecto ‘Nós podemos’, que visa criar turmas de alfabetização em todos os templos. Enquadrado na campanha que o MED iniciou em Março, tendo como objectivo alargar a fonte de financiamento e de parceiros para o Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar (PAAE), o acordo define que a igreja ceda os templos, para servirem de salas de aulas; e os membros ou fiéis escolarizados, para alfabetizarem não apenas os crentes, mas também qualquer iletrado que resida na comunidade em que estiver situada a paróquia. O Governo, através do MED, terá a responsabilidade de dar formação aos alfabetizadores voluntários e fornecer material didáctico para o projecto, bem como certificar as aprendizagens adquiridas naqueles espaços.

A duração das formações dependerá das características dos alunos, havendo casos em que se fará primeiro o diagnóstico do nível psico-genético de leitura e escrita de cada um, para se determinar se o formando precisa de alfabetização (que dura quatros meses) ou de pós-alfabetização ( que possui duas etapas, demorando cada uma delas nove meses). O director nacional de Educação de Adultos, que assinou o projecto em nome do MED, não explicou quantos formandos nem formadores serão envolvidos no projecto. Evaristo Pedro revelou que, neste momento, decorre a identificação dos templos e as inscrições dos alunos, um trabalho ao qual se seguirá a divisão das turmas em função das debilidades dos formandos com vista enquadrá-los nos módulos correspondentes. “A partir de agora, vamos criar todas as condições para que, em Outubro, comecemos com as aulas”, explicou.

Em Angola, a preocupação com a alfabetização remonta a 22 de Novembro de 1976, quando o então Presidente da República, António Agostinho Neto, procedeu à abertura da primeira campanha nacional na fábrica Textang II, em Luanda, o que fez reduzir a taxa de analfabetismo de 85 por cento (em 1975) para menos de 34 por cento em 2014, de acordo com o Censo-2014. Entretanto, dados oficiais referem que actualmente mais de quatro milhões de angolanos, entre os 15 e 35 anos, são analfabetos, o que significa que 24 por cento da população activa continua sem saber ler nem escrever.

Dados da Unesco (Organização das Nações Unidade para Educação, Ciência e Cultura) indicam que, em todo o mundo, mais de 360 milhões de crianças e adolescentes não estão matriculados na escola e 750 milhões de jovens e adultos (dois terços são mulheres) ainda não sabem ler nem escrever.

Os acordos da semana passada, entre o MED e a ‘Metodista’, tiveram como ‘pano de fundo’ as celebrações do 8 de Setembro, Dia Internacional da Alfabetização.

 

 

 

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