Projecto de um engenheiro angolano encalhado

Falta de dinheiro ‘trava’ produção de adubo

O projecto de produção de adubo artesanal através do lixo está paralisado por falta de apoios. Num mês, chegou a produzir 120 toneladas que foram distribuídas a sete fazendas no Cunene, Huíla, Namibe e Benguela, depois de testado em laboratórios da agricultura, na Namíbia.

Falta de dinheiro ‘trava’ produção de adubo
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O projecto de produção de adubo artesanal, testado em laboratórios da agricultura na Namíbia e implementado, de forma experimental, em Angola, em sete fazendas no Cunene, Huíla, Namibe e Benguela, está paralisado por “dificuldades” financeiras e de transporte. As 120 toneladas produzidas na fase inicial foram distribuídas às fazendas de forma gratuita para testar o “impacto”. O projecto é uma iniciativa de Hangalo Bernardo Caritoco, um engenheiro agro-pecuário, natural do Cunene, e fez parte da monografia para a licenciatura.

O adubo orgânico poderá substituir a importação de adubos químicos que “prejudicam a saúde humana e o ambiente”, destaca Hangalo Bernardo Caritoco. O processo envolve a recolha, selecção e separação de lixo, entre plásticos, garrafas e vidros. Depois, os produtos necessários para a produção do adubo são colocados numa cova, em forma de camadas ou barras, às quais se junta capim, papéis e outros materiais de “fácil degradação”, como cascas de banana e de batata, caixas de ovos e vegetais. O material é regado com água e, “quando está cheio, é fechado”, permanecendo neste estado durante 25 dias. Passado este tempo, “são mudadas de posição, ou seja, os componentes que estavam por baixo, são virados e ficam por cima durante igual período”. Quando se verificar que estão a decompor-se, são removidos, sendo levados para a fase da peneiração, que, entre 15 e 30 dias, são separados por dois tipos de adubos, um fino e outro grosso. O processo dura 90 dias “devido a dois componentes de difícil decomposição, que são o papelão e o capim, que, depois de todo o processo, deixam sempre algumas fibras”, explica o mentor, que acredita que se tiver máquinas para triturar estes dois componentes em 30 dias poderá produzir adubo.

Hangalo Bernardo Caritoco pretende sensibilizar os fazendeiros e camponeses para o uso de fertilizantes orgânicos no desenvolvimento de uma agricultura sustentável dos solos e nutricional e “proporcionar um impacto positivo ao ecossistema e à saúde humana”.

Hangalo Caritoco explica que a adubação orgânica nos solos arenosos “melhora a textura e desenvolve a capacidade de armazenamento de água.

 

 

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