Desprezos

O ano fechou com a ‘Operação Resgate’ em alta, a demonstrar resultados que agradam às autoridades, O mesmo é dizer com a expulsão de estrangeiros, mas também com irradiação de grande parte dos vendedores das rua, numa limpeza que não só é total, porque há sempre quem resista. Não vêem qualquer ‘luz ao fundo do túnel’ que lhes permita ter alternativas, portanto, têm mesmo de resistir

Ou seja, 2018 terminou nada bem para os mais desfavorecidos.

O ano começou com as já rotineiras exonerações de João Lourenço e com algumas decisões políticas que levaram ao encerramento de dois bancos, entre eles, o Banco Postal. Ninguém teve em conta que o Banco Postal tem mais de 750 funcionários e congrega mais de 320 mil clientes, na sua maioria, de parcos recursos financeiros. Gente pouco, ou quase nada, habituada a lidar com o sistema bancário e que encontrou no ‘Xikila Money’, o principal produto do Postal, uma forma de também ter conta bancária e empréstimos que lhes permitia abrir um pequeno negócio. Luta pela sobrevivência, portanto.

Mal o ano começou e logo o kwanza atingiu mínimos históricos. Está cada vez mais difícil ao país, que continua a depender das importações, alimentar-se. E são os pobres os que mais vulneráveis, os que vão sentir mais esta contínua desvalorização da nossa moeda.

Ou seja, 2019 não começou nada bem para os mais desfavorecidos.

O ano passado foi marcado por uma ascenção da extrema-direita pelo mundo, em especial, no Brasil. E começou com a posse de Jair Bolsonaro que, como toda a direita ideológica, defende os mais ricos, iniciando a sua governação com o corte de direitos dos trabalhadores, ameaças de despedimento e com a retirada do país da organização das migrações.

Ou seja, 2019 não vai ser nada bom para os mais desfavorecidos.

Pelos sinais cá dentro – e lá fora – já se pode prever que este ano, que ainda mal começou, vai ser marcado por um profundo desprezo pelos mais pobres, pela classe mais desfavorecida, pelas pessoas que (quase) se limitam a lutar pela sobrevivência.