Deleitando a paz do Kilombo

“Mana Minga mukulu mwengi, mana wavala mona omusasa…!”

Na paz proporcionada pela exuberante vegetação, no jardim botânico de Kilombo, Ndalatando, todos cantam e dançam. As árvores, nos reencontros facilitados pelo vento, cantam uns gemidos e dançam, soltado folhas-estrume que as alimentam e dão de comer a outras nascentes.

A água, cálida, límpida, descendo preguiçosa, mas sempre vistosa, canta seus versos nos reencontros intermináveis com as pedras em pequenas cascatas.

Os bichos, os insectos, apito na boca, piiiiiiii, piiiii. Um interminável coro, às vezes, chegando à orquestra.

Os pássaros, senhores das copas e dos ramos intermédios, um chilrear sem fim. O botânico do Kilombo é uma festa. Será por isso que ‘Mano António dya Mulaula’ gostava de visitar o espaço em suas férias presidenciais? E tinha suficiente razão. Precisavam os akwaxi em gozo de férias de ir à metrópole beber vinho quando o maluvu do Kilombo é dos mais doces e gaseificados?

Voltemos à música. Kujiza vinha da lavra, Kilombo afora. Kinda à cabeça onde carregava pepino silvestre, batata, vassoura e outros mimos para os twana em casa. No sangue carregava assinaláveis ml de álcool. Kapuka ou maluvu não se descortinou.

- Mano, meu nome é Kujiza. Você está a se fotografar, me fota também.

Enquanto rolava a prosa, da kinda ainda na cabeça veio um som. O rádio que carregava entre os mantimentos decidiu tocar e de lá saiu uma música das terras vizinhas de Malanje:

“Mana Minga mukulu mwengi, mana wavala mona omusasa” (mana Minga antigamente era diferente quem fazia filho criava-o).

E como o Kilombo é uma festa saiu uma masemba até a música deixar outro recado.

“Mukulu, kuvala kitadi, lê-lo ke Kima” (antigamente, devido à lavoura, quem mais braços tivesse mais cresceria a sua lavra, os filhos eram por isso tidos como dinheiro, hoje não têm o mesmo valor, façam-se, portanto, poucos filhos, para que possam ser criados com dignidade). Quem não ouviria e cantaria uma mensagem assim?

De regresso, ainda no centro do Kilombo, um artesão faz dinheiro com bambus, fazendo lindos vasos e levando ‘souvenirs’ à casa dos que se fazem ao botânico. Rosas de porcelana ou um broto da planta para decorar o quintal e nunca mais faltarem rosas também há. Diligentes, os guardas e os agro-gerentes estão sempre prontos.

- A rosa, cem kwanzas. A roseira, quinhentos. O vaso e os jarros de bambu variam de quinhentos a mil – anunciam.

Já á porta, prontos para o ‘bye bye’, de novo outro segurança.

- Gostou, mukwaxi? Volte sempre. Pela próxima, venha acompanhado, assim demora e desfruta mais. Não deixe de falar sobre as belezas do Kilombo e aconselhar visitas. A entrada, como viu, custa apenas cem kwanzas!

 

 

RECOMENDAMOS

POPULARES

ÚLTIMAS