CÊS OU KAPAS?

O ideal seria que os topónimos e antropónimos fossem escritos e registados de acordo com a estrutura gramatical da língua em que são enunciados.

Aqui, entre nós, os angolanos, o assunto da troca dos kapas pelos cês na grafia de alguns topónimos bantu-africanos e a manutenção do kapa noutros têm sido motivo de muita celeuma. O rio é Cuanza e a moeda que ganhou o nome do rio, pois se justifica que “se atribuiu à moeda angolana o nome do maior rio, que nasce e desagua em território nacional”, é, entretanto, Kwanza.

Fui e sou dos que mais discorreram tinta sobre o assunto que, afinal de contas, não é tão complexo nem confuso quanto alguns  comunicadores  o fizeram parecer. Aqueles ‘doutores’ em vez de saírem de peito aberto e explicar em miúdos o que se passou com a remissão daquele instrutivo aos MDM para, de um dia para outro, cortarem os kapas e os substituírem pelos cês, deviam é estudar o assunto e explicá-lo não só aos MDM, mas a todos os angolanos.

O que me foi explicado por alguém que é doutor de verdade, pois sabe explicar e convencer, é que os nomes, mesmo os das pessoas, só se tornam oficiais quando cadastrados em registo que lhes dá respaldo legal.

Ora vejamos:  o único registo existente quanto aos topónimos angolanos é o deixado pelo colono que se foi embora em 1975. 

Não foi produzida uma (outra) lei que alterasse os nomes das localidades de acordo com o que alguns angolanos defendem, eu incluído, que é redigir com kapa aí onde a estrutura gramatical da língua africana originária o exija.

As novas localidades e realidades surgidas e correctamente cadastradas como a cidade do Kilamba ou a moeda Kwanza estão de fora dessa discussão. 

Logo, perante a douta explicação do meu amigo, devo é redireccionar a minha ‘luta’ aos entes públicos  de quem temos reclamado a troca dos kapas pelos cês,  já não no sentido de repor os kapas que achava terem sido arbitrariamente cortados, mas para que, no mais curto espaço de tempo, se crie a lei que deve colocar em definitivo e de jure os kapas, ipsilons e dablius nos topónimos Kwanza e noutros como Kacinge, Mwmbwe, Cikala-co-Lohanga, Kalulu, Kwitu, Katabola, Vav’ayela, etc. A minha luta não é pela colocação arbitrária de kapas. É pela grafia correcta dos topónimos e antropónimos, conforme  a estrutura morfológica das línguas locais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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