Cá estamos

Este é mais um editorial de esclarecimentos. Quando, há sete anos, o Nova Gazeta apareceu nas ruas do país pela primeira vez, antecipámo-nos a explicar o seu modelo de negócio. Não sendo propriamente obrigatório, era um esclarecimento necessário pela simples razão de que se tratava de um conceito inaugural em Angola. Ao longo desse tempo, por vezes sem conta, tivemos de recorrer ao mesmo exercício. Mais do que para combater especulações, fizemo-lo sobretudo pela observação de que a ignorância quanto aos jornais gratuitos era expressiva. De tal ordem que até gente que se tinha, à partida, por entendida na matéria (incluindo jornalistas) mostrava um nível de desconhecimento surpreendente.

O que dissemos no passado e que se mantém, naturalmente, válido é simples: tal como acontece um pouco por todo o lado, os jornais, assim como as rádios e as televisões, têm na publicidade a maior fonte de receitas. No caso específico angolano e dos jornais, há exemplos em que as receitas da publicidade chegam a cifrar-se acima dos 95 por cento de toda a facturação anual. Associar à sobrevivência dos jornais (claro, de qualidade) à venda das baixíssimas tiragens é, por isso, de uma ignorância que só deveria ser permitida a quem não tenha qualquer referência sobre o negócio nesse universo específico. O que, logicamente, não deveria ser o caso de jornalistas.

De qualquer forma, esta é uma nova oportunidade para esclarecimentos. A partir do facto de que as vendas das tiragens são cada vez menos representativas na facturação dos jornais, os gratuitos apostam nos espaços de publicidade. Porque, em termos comerciais, contam com a poderosa argumentação de que têm um potencial inigualavelmente elevado de levar a mensagem ao consumidor, uma vez que este não tem o constrangimento da compra do jornal. Em teoria, as empresas mais facilmente são convencidas a investir, sobretudo, quando o jornal, apesar de gratuito, é reconhecido pela qualidade dos conteúdos. Em termos resumidos, é esse o raciocínio por detrás da gratuitidade do Nova Gazeta e de um sem número de gratuitos pelo mundo fora.

É evidente que, em situações de crise económica, os jornais sofrem como quaisquer negócios. Às vezes até, em proporções diferenciadamente alarmantes, pela tendência natural das empresas em cortarem no investimento em publicidade. E, quando isso ocorre, claro, os jornais são obrigados a reestruturar-se para se manterem vivos. Afinal, já se arrastam quase cinco anos de cortes sucessivamente violentos na publicidade e sem que os jornais pudessem ajustar preços, ao sabor do descarrilamento do kwanza. Não é nada além disso que levou à descontinuação temporária da impressão do Nova Gazeta que sem mantém, entretanto, disponível todas as semanas na versão PDF. Continuamos por cá.

 

 

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