Anda tudo ligado

Nas cadeias angolanas, moram mais de 200 funcionários bancários. Foram condenados por desvio de dinheiro, actos fraudulentos ou abuso de confiança. São números oficiais fornecidos pela Polícia Nacional ao NG, mas, garante quem percebe do assunto, pecam por defeito. De uma forma empírica, é fácil perceber que deve haver muitos mais a prevaricar. 

Quem nunca foi vítima de um deles? Quem não conhece alguém que já tenha detectado uns misteriosos desaparecimentos de valores na sua conta bancária? Naturalmente, os bancos reservam-se. Evitam mostrar debilidades e transmitir alguma intranquilidade, apesar de o PCA do BPC ter admitido, há uns tempos, que há muitas ilegalidades feitas pelos funcionários. 

Os bancos, por norma, deviam ser das instituições onde nos sentíssemos mais seguros. Foram criados para isso. Para tirarmos o dinheiro de debaixo do colchão. Mas não. Mesmo com formação, há quem não resista, convencido de que pode escapar. 

De uma outra instituição, que lida com dinheiro, contam-me que são apanhados desvios todos os dias. Alguns com provas irrefutáveis, transmitidas por câmaras de vigilância. Ainda assim, os funcionários negam. 

Nas redes sociais, há um novo jogo: a caça ao erro dos recém licenciados. Nem é difícil jogar. Abrem-se páginas e aí vêm eles, imponentes. O secretário de Estado, Eugénio da Silva, até acha que é “inadmíssivel” que isso aconteça entre diplomados. 

Números oficiais indicam que há mais de 1.100 igrejas em todo o país e outras mais de 800 à espera da legalização. Em Luanda, dizem as estatísticas, há cinco igrejas por cada quarteirão. Novamente, são números oficiais que devem pecar por defeito. Basta estar atento às ruas para se perceber que, todos os dias, nascem igrejas como nasce o tortulho. 

Ora, se há tantas igrejas é porque há clientes/fiéis para as encher. Em cada uma delas, assiste-se a celebrações que duram horas infinitas todas as semanas. As mesmas horas que seriam melhor aproveitadas a aprender a ler e a escrever ou a fazer profundas reflexões para evitar desvios de dinheiros. Desconfio que isto anda tudo ligado.