Dicla Buriy, o rosto de ‘A tua cara não me é estranha’

Actriz desafia privados a investirem nas artes

Dicla Burity representa há quase 20 anos. Garante manter o mesmo entusiasmo de quando começou a carreira, mas gostaria de ver maiores investimentos de privados nas artes cénicas. Prepara-se para publicar três livros, dando ‘corpo’ ao gosto pela escrita que começou aos 12 anos. Quase a completar 39 anos, quer ver o teatro angolano internacionalizado.

Actriz desafia privados a investirem nas artes
Mário Mujetes
Dicla Burity

Dicla Burity apresentadora de programas

Devemos chamar atenção do privado e mostrar que pode ser um negócio lucrativo. Até ajuda a massificar o turismo cultural.

Prestes a comemorar 20 anos de carreira nas artes cénicas, televisão e rádio, o rosto de Dicla Burity é um dos mais conhecidos na teledramaturgia em Angola, desde 1999, graças às telenovelas e mini-séries ‘Vidas Ocultas’, ‘Reviravolta’, ‘Entre o Crime e a Paixão’, ‘113’, ‘Sede de Viver’, ‘Windeck’ e ‘Conversas no Quintal’, e nos ‘reality show’ nacionais e internacionais como ‘A tua cara não me é estranho’ o mais recente programa, ‘Domingo à Mwangolê’, ‘Big Brother Angola 2015’, ‘Mbora Dividir’, ‘Biggest Deal’, ‘Luanda e Angola da sorte’, entre outros.

Proveniente de família de artistas, Dicla Burity não deixou escapar as inúmeras oportunidades de se estrear nas artes. A par da dramaturgia e apresentação, também está a preparar o lançamento de três livros, em que, provavelmente, um deles pode estar à venda ainda este ano. 

Hoje encara a fama com alguma naturalidade. Os anos de carreira, justifica, deram-lhe essa segurança “Hoje já é mais fácil lidar com a fama, porque o fã, a pessoa que admira o nosso trabalho, merece o nosso respeito. Hoje os meus filhos tiram-me fotos com pessoas que admiram o meu trabalho”, afirma

Dicla Burity dedica-se à escrita desde os 12 anos. Publica nas redes sociais, onde tem registado um ‘feedback’ positivo dos internautas. Dos livros que pretende lançar, consta uma publicação sobre ‘Um retrato da sua vida’, um livro de receitas, em que vão constar receitas de auto-criação, receitas da avó e algumas com inovações. A apresentadora confessa que um dos sonhos de família sempre foi criar uma cozinha ou restaurante, porque “a minha mãe cozinha muito bem e sempre foi o nosso sonho”.

Já escreveu também argumentos e sinopses para teatro e televisão. No teatro, a sua estreia foi com um argumento da peça ‘Ser taxista’, no Horizonte Njinga Mbande. “Gosto que os meus escritos ganhem vida, porque têm uma magia diferente”. 

Teledramaturgia em evolução

A actriz confia que, no prazo de 10 anos, Angola poderá ser uma referência nas artes cénicas, atraindo o turismo cultural, mas alerta que tem de “haver mais investimento por parte dos privados”.“Devemos chamar atenção do privado e mostrar que pode ser um negócio lucrativo. Até ajuda a massificar o turismo cultural. Por exemplo, muitos de nós nunca fomos ao Brasil, mas através das novelas, conseguimos conhecer um pouco da sua cultura e os pontos turísticos que lá existem”, defende.

Dicla Burity lembra-se de ter acompanhado o investimento da Televisão Pública de Angola (TPA) na formação de artistas, que incluía a vinda de realizadores e produtores do Brasil. “Se começarmos a pensar agora e investir no futuro, dentro de dez anos, teremos um mercado da teledramaturgia bem crescido e com referências até internacional. É claro que exige de nós um esforço muito grande e investimento de parte dos privados, porque a televisão fez um grande investimento e como televisão pública em serviço de Estado. E apostou em formação e em novelas que até hoje marcaram o público angolano”.

No entanto, lamenta que muitos dos actores da sua época tenham enveredarado para outras áreas. “Aconteceu uma quebra, porque com os actores do meu tempo e os actuais, não há uma ligação, os actores acabaram por não ter continuidade, porque paramos por muito tempo, e todas essas paragens fizeram com que muitos emigrassem para outras áreas.

Decepção dos pais 

Seguir a carreira de artista foi uma decepção para os seus pais. Eles preferiam que Ducla seguisse outra carreira, como a de médica ou engenheira informática, mas foi na arte de contracenar e na apresentação que se formou. Ironia do destino, são logo quatro irmãos ligados às artes”.

Há alguns anos, o maior sonho da actriz era internacionalizar a sua carreira, mas agora admite ter outras ambições, levar o nome de Angola, a cultura e tradição pelo mundo. Tal já o fizeram Lupita Nyong'o e Maria Borges, Dicla está optimista que “todos somos capazes de ganhar o mundo”.

Reconhecimento

Estar entre os reconhecidos nos concursos não é sua prioridade. Argumenta que os eventos têm objectivos e não os pode julgar por não os conhecer. “Há critérios que também desconheço, mas com o tempo cheguei à conclusão de que o reconhecimento dos concursos não é prioritário, porque o público reconhece o trabalho e esforço, fico feliz quando o público reconhece o nosso trabalho e os nossos colegas falam sobre o nosso trabalho”.