Projecto solidário apoia mais desfavorecidos

‘Tropas da Paz’ em marcha para ajudar

O irmão de Cátia Oliveira morreu, com dois anos, vítima de paludismo. A desgraça serviu para a jovem portuguesa criar um projecto de solidariedade. Juntou amigos, cá e lá, e fez nascer a ‘Tropa da Paz’. Entre ajuda com alimentos e medicamentos, até pagam cirurgias.

‘Tropas da Paz’ em marcha para ajudar
O projecto nasce depois da morte do irmão da mentora.
Cátia

CátiaMentora do Projecto

A vida levou o meu irmão, mas deixou-me um legado, ensinou-me a ser sensível com a dor dos outros.

Com apenas um ano, o projecto ‘Tropas da Paz’ conta com cerca de nove membros activos e muitos colaboradores divididos entre Portugal e Angola e já recebeu do Centro Neurocirúrgico e de Tratamento da Hidrocefalia, do Benfica, o diploma ‘Moção de Agradecimentos. Prevê, esta semana, ajudarmais uma família do Caxito com uma cirurgia.

O grupo tem como objectivo ajudar crianças, lares de acolhimento e famílias carenciadas com cestas básicas, bens alimentares, brinquedos, apoio médico (compra de medicamentos) e outras ajudas. A primeira acção foi no auxilio às despesas de cozinha, no centro de acolhimento El-Bettel, em Luanda, há um ano. A mesma ajuda foi prestada ao lar Beiral com aproximadamente 20 caixas de roupas. Neste ano, o centro Mama Madalena realizou eventos com cantores, sessão de cinema, almoço e entrega de bens de primeira necessidade e de culinária. Já nos Ramiros, também em Luanda, o grupo ajudou perto de 30 famílias desfavorecidas com cestas básicas. Ainda ajudou duas meninas, uma com problemas de hidrocefalia e outra com cancro. O grupo juntou dinheiro para pagar as cirurgias. Uma das crianças não foi a tempo de ser salva. Outra família beneficiou de uma ajuda com cama e colchão.

A mentora do projecto, Cátia Oliveira, pretende chegar mais longe para atingir os objectivos. Para tal, apela ao bom senso de todos, para que abracem a causa. “Quem se junta a nós sabe com que força trabalhamos, com que garra que queremos fazer chegar mais e mais aos nossos meninos.”

 

Como nasce

O projecto ‘Tropa da Paz’ nasce depois de Cátia Oliveira ter perdido o irmão de dois anos, vítima de doença, no caso, ‘paludismo’. O pai português vive em Angola, e foi aqui que o menino contraiu a doença. Foi então que Cátia Oliveira, portuguesa e a residir em Portugal, se deparou com o sofrimento de várias famílias, na mesma situação, principalmente crianças. Decidiu, então, juntar um grupo de amigos. Todos deram início a uma luta que consiste em ajudar crianças, lares e famílias que vivem em situação precária, com entrega de bens alimentares, brinquedos, ajuda médica e medicamentosa. “A vida levou o meu irmão, mas deixou-me um legado, ensinou-me a ser sensível com a dor do outro”, reconhece hoje a mentora do projecto.

Para Cátia Oliveira, é um “orgulho” que “nasce entre nós por cada ideia e por cada trabalho realizado, a cada luta e a cada vitória, nos faz ficar presos uns aos outros como se de uma família se tratasse!”

A primeira ideia foi feita, em Portugal, onde realizaram uma recolha de material escolar, que resultou em 44 caixas. Na segunda recolha, houve um acréscimo, em que se incluíram roupas, calçados, brinquedos e materiais escolares.

 

Modos de angariação

Sem documentação, mas com vontade de ajudar, os voluntários trabalham maioritariamente em Portugal, onde realizam as actividades de recolha de donativos. Para a angariação de bens, os jovens realizam jantares, aulas de zumba, rifas, vendas de ‘t-shirts’, chapéus, ‘pins’, imãs e cujos lucros revertem a favor do projecto. O grupo de jovens voluntários apela também a que mais gente se junte a eles, pois pretendem ajudar e não ficar de braços cruzados “perante a desgraça alheia”. “A nossa luta vai continuar porque nós fazemos parte daquela face da humanidade que se preocupa com a dor do outro!”

 

Desilusões

Quando pisou o solo angolano, pela primeira vez, Cátia Oliveira apercebeu-se porque “era tão fácil” morrer crianças. “O meu coração contorcia-se a cada criança que por mim passava com olhos de pedido de socorro, em silêncio, percebia a desilusão e a angústia de todas elas.”

Não se importando com os motivos que a trouxeram a Angola, decidiu que a sua missão era ajudar. Ajudar no que estivesse ao seu alcance e, para o que não estava, faria de tudo para conseguir. “Percebi que pouco podia fazer perante tão grave situação, mas decidi que não iria ficar de braços cruzados”.

A artista plástica portuguesa Lee Feliz doou recentemente uma obra para um leilão, para que os valores se revertam a favor do projecto. A obra encontra-se na Essência Past. Mede 1.50mx1.50m o preço de licitação é de 200 euros.