Chuvas podem agravar situação no Sumbe

Estradas sem manutenção há mais de 40 anos

Atraso das obras no troço rodoviário entre Luanda e o Sumbe, Kwanza-Sul, atrapalha 
a marcha dos automobilistas. O percurso de 230 quilómetros que devia ser feito em pouco 
mais de três horas dura cinco a seis.

Estradas sem manutenção há mais de 40 anos
Manuel Tomás
Empresas incapazes de apresentar estradas estáveis

A degradação das ruas também dificulta o patrulhamento da polícia quer no casco urbano, quer na periferia.

A odisseia de uma viagem entre Luanda e Kwanza-Sul começa na ponte sobre o rio Keve, onde empreiteiros chineses trabalham para ‘devolver’ o asfalto até à aldeia do Ngumbe. São cerca de cinco quilómetros que representam um autêntico calvário para utentes de viaturas. O mesmo cenário repete-se à entrada do Sumbe, entre a Escola Nacional de Petróleos e o Morro do Chingo.

Motoristas incautos estão a ‘rebentar’ os carros nestas curtas, mas penosas vias alternativas de muitos solavancos. Se o empreiteiro não concluir em breve o trabalho, a situação pode complicar-se por causa das chuvas que já começaram a cair.

Carlos Oliveira, um jovem de Porto Amboim, companheiro de viagem ao Sumbe, sente-se preocupado e arrisca mesmo que, com as enxurradas à espreita, o aumento do caudal do Keve impedirá a circulação na Estrada Nacional nº 100 (EN-100) de ligação ao Sul. A estrada alternativa fica a escassos metros do rio e, segundo Carlos Oliveira, quando chove, transforma-se num pântano.

Se a EN -100 é um caos, na própria capital da província as ruas não permitem uma fluida circulação. São invariavelmente de terra e, por isso, mesmo poeirentas no cacimbo. Na época chuvosa, ficam praticamente intransitáveis por causa da lama.

Madalena Canguengue, vendedora de peixe, lamenta o estado caótico das vias da cidade que deixaram de ser reparadas desde a época colonial. “Desde a ascensão do país à independência, em 1975, as ruas do Sumbe nunca mereceram uma intervenção de vulto. Os sucessivos governadores que por aqui passaram nada fizeram”, reclama.

Bruno Masculino, mecânico, também se sente frustrado com a situação da cidade que o viu nascer há 33 anos. “Mesmo no tempo do governador Higino Carneiro também não houve avanços significativos. Ele pode ser lembrado por ter impulsionado a construção do Instituto Politécnico do Sumbe e de uma ou outra infra-estrutura, mas nunca ‘mexeu’ nas ruas.”

Por causa da poeira, os habitantes respiram ar poluído, resultando com doenças respiratórias que o hospital provincial não consegue curar por insuficiência de fármacos. A degradação das ruas também dificulta o patrulhamento da polícia quer no casco urbano como na periferia. “Não é só a polícia que encontra dificuldades. O cidadão comum também, porque não circula à vontade”, afirma um oficial da corporação, ao NG, acrescentando que “até mesmo os ‘motoqueiros’ têm reclamado do mau estado das ruas”.

O nosso ‘amigo de ocasião’ vai mais longe, acusando o governo provincial de ter piorado o troço aeroporto/cidade. “Havia asfalto, mas o governo mandou raspar o tapete que, embora com alguns buracos, garantia uma melhor circulação de viaturas e peões. As acções de ‘tapa buracos’ estão longe de resolver o problema.”

 

Governo Conformado

Um funcionário da administração municipal do Sumbe, ao NG, culpa “a falta de condições técnicas e humanas” pelo elevado estado de degradação das estradas da capital da província. Preferindo o anonimato “para não ser castigado”, garante mesmo que “a administração municipal não dispõe de quadros qualificados para efectuar estudos constantes das estradas, bem como de materiais técnicos para manutenção periódica para permitir maior fluidez dos automobilistas dentro da cidade”.

Para agravar o quadro, as empresas contratadas não têm sido capazes de efectuar trabalhos que permitam a durabilidade das vias. “Há situações em que as empresas, em vez de resolverem os problemas só os pioram, porque afectam nas intervenções as canalizações de água e outras que datam antes da independência que, posteriormente, resultam em buracos e consequente danificação das estradas”, esclareceu, para manifestar conformismo: “Teremos de conviver com tal situação enquanto não tivermos especialistas na área e meios técnicos.”

 

 

 

 

 

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