País estreia-se no comité pan-africano do comércio

Afreximbank disponibiliza USD mil milhões para Angola

O Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) tem disponível uma linha de financiamento, avaliada em mil milhões de dólares, para Angola promover a entrada no Comité Pan-africano de Comércio e Investimento Privado (PAFTRAC), organização que promete ajudar os Estados-membros a definir políticas comerciais e de investimento em África.

Afreximbank disponibiliza USD mil milhões para Angola
D.R

Pedimos, por isso, ao Governo de Angola que nos ajude, por esta via, a estabelecer uma cooperação integrada entre as partes, com foco especial no empresariado nacional e africano

 A informação foi avançada nesta quinta-feira, 18, pelo presidente do Afreximbank, Benedict Oramah, durante um webinar realizado em Luanda, que marcou o lançamento oficial das operações do PAFTRAC em Angola.

Benedict Oramah, que participou de evento por videoconferência, assegurou que a instituição que dirige vai apoiar todo o processo da entrada de Angola no Comité, tendo reforçado que a instituição, em parceria com a União Africana, vai adoptar a mesma postura em relação à integração do país na Zona de Livre Comércio Afrigcana (ZLEC).

Criada em Outubro de 2018, pela União Africana, esta plataforma de comércio e investimento pretende estimular um quadro para facilitar a união, a participação e envolvimento do sector privado em questões de comércio e investimento no continente Criada em Outubro de 2018 pela União Africana, o PAFTRAC, segundo os promotores, pretende estimular um quadro para facilitar a união, a participação e envolvimento do sector privado em questões de comércio e investimento no continente, incluindo a formulação de políticas comerciais, de investimento e negociações comerciais, em apoio ao desenvolvimento sustentável das economias africanas em linha com a Agenda 2063 da União Africana.

Segundo o empresário Agostinho Kapaia, para os próximos dias, estão previstas várias actividades da CEEIA (Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola), organização da qual é presidente para a promoção do PAFTRAC em Angola.

 Já nessa fase de lançamento, o que se pretende, no país, segundo Agostinho Kapaia, é que as instituições, empresas, associações e conselhos empresariais façam parte dessa plataforma de comércio e investimento intra-africano, sem descartar outras importantes entidades estratégicas, como a banca, para que, por essa via, possam explorar as oportunidades regionais e sub-regionais.

“Pedimos, por isso, ao Governo de Angola que nos ajude, por esta via, a estabelecer uma cooperação integrada entre as partes, com foco especial no empresariado nacional e africano”, reforçou o líder empresarial, que também ocupa uma das vice-presidências do PAFTRAC.

Já o secretário de Estado do Comércio, José Veríssimo, destacou a importância que a ZLEC representa para a economia angolana, sobretudo nessa altura em que o mundo e Angola, em particular, continuam a ser fustigados com os efeitos da Covid-19.

Mostrando-se favorável à criação do Comité Pan-africano para o Comércio e Investimento Privado, o governante esclareceu que Angola está a trabalhar de forma afincada para a conclusão da proposta de oferta tarifária para a região, instrumento que considerou “indispensável” para o arranque das trocas comerciais intra-africanas, processo que, no âmbito da ZLEC, já arrancou desde o passado dia 1 de Janeiro do corrente ano.

“Para atingir o estado de desenvolvimento que almejamos, o sector privado a nível do continente joga um importante papel por se tratar de uma força motriz para o crescimento e o desenvolvimento económico”, referiu, lembrando que aos estados se lhes reserva a responsabilidade da criação de condições para que a actividade económica se faça nas melhores condições e que, por via disso, as “empresas africanas” se tornem mais competitivas e capazes de actuar também em mercados globalizados.

Neste contexto, acrescenta o governante, o PAFTRAC poderá jogar um papel-chave na captação de investimento para o sector privado no continente, mas também para a promoção do comércio intra-africano.

Angola ratificou o acordo que estabelece a Zona de Livre Comércio Continental Africana, em Novembro de 2020, tendo sido saudado, na ocasião, pela União Africana pelo feito.

Actualmente, 24 países assinaram o acordo, mas ainda não o ratificaram, incluindo Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. A Eritreia continua a ser o único país africano que não assinou o documento.

O acordo de livre comércio em África, segundo os dados oficiais, cria um mercado único de 1,3 mil milhões de pessoas com um Produto Interno Bruto de 3,4 mil milhões de dólares e abrange a grande maioria dos países africanos