Greve desde finais de Setembro

Dívidas paralisam ENCIB

Com mais de 50 milhões de kwanzas por receber, parte dos técnicos afectos à empresa de construção ‘cruzam braços’ e decretam greve. Administração admite crise e já tem em mão plano de cortes no pessoal. Só o refeitório e posto médico mantêm-se activos.

Dívidas paralisam ENCIB

Só com o pessoal, as despesas mensais da ENCIB podem rondar os 10 milhões de kwanzas. As dívidas com o pessoal já ultrapassam os 50 milhões, o que motivou a greve.

Uma dívida de quase 50 milhões de kwanzas em salários levou à paralisação de mais da metade das máquinas e parte das produção da Empresa Nacional de Construção de Infra-estruturas Básicas (ENCIB), com uma greve dos trabalhadores que caminha para a sua segunda semana, soube NG, junto da direcção da empresa.

Em causa, quase seis meses de salários em atraso para 132 colaboradores, entre técnicos de máquinas e de construção civil e o pessoal administrativo da empresa estatal, sob tutela do Governo da Província de Luanda (GPL), e um caderno reivindicativo em que exigem, em sete pontos, melhorias das condições de trabalhos.

Até à tarde da última segunda-feira, só as áreas administrativas, de segurança, um refeitório e um posto de saúde  estavam a laborar.

Só com o pessoal, as despesas mensais da ENCIB podem rondar os 10 milhões de kwanzas. Considerando essa base, e um acumulado de seis meses, as dívidas com o pessoal já ultrapassam os 50 milhões, o que motivou a greve.

Para saldar parte da dívida, a empresa pagou faseadamente aos colaboradores. Para que ganham abaixo 50 mil, leva cinco salários, e os que auferem acima de 50 mil levaram para casa apenas três salários. “Cada trocado que entra a gente gere. Se temos um pouquinho, pagamos primeiro o pessoal de base… e vamos tentando gerir. Pagamos nesses termos por razões financeiras”, admite Maria Teresa, da direcção dos recursos humanos.

Por falta de obras, e dada a crise financeira, a empresa paralisou cerca de 60 por cento dos seus meios. Só isso levou o governo provincial a admitir estado de insolvência, tendo optado pela redução de pessoal, medida avançada em reunião de concertação que juntou altos responsáveis do GPL, sindicato e a direcção da empresa.

Aliás, não é a primeira vez que o diferendo entre o patronato, no caso o GPL, e empregados, termina com despedimentos. Os conflitos vêm de outras administrações.

Já em 2014, quando António Francisco Catembo, actual director-geral, chegou à liderança da ENCIB, o desfecho para um alegado ‘alvoroço’ pelas mesmas razões salariais terá terminado com o afastamento de pessoal. De um total de 336 trabalhadores, a companhia de infra-estruturas básicas despediu 136.

Esta é uma medida que não está a ser bem recebida pelos trabalhadores da ENCIB, apesar de não constar do caderno reivindicativo que o conjunto sindical deu entrada à entidade.

Com panfletos e vários cartazes, um grupo de cerca de 50 profissionais de construção civil, entre os dispensados por tempo de reforma, batem-se pela requalificação das condições profissionais,

 

Sindicado declara greve…

Os trabalhadores vão apresentar um caderno reivindicativo que, entre sete pontos, se destaca a exigência de pagamento de salários em promoções, utilidade das quotas sindicais, transparências na gestão de bens e os descontos à segurança social, este último que, segundo Raimundo Julião, membro da comissão sindical, também está com dívida.

Para este dirigente sindical, depois dos atrasos com os ordenados, os trabalhadores esperavam flexibilidade com os horários de chegada aos postos de trabalhos, já que, segundo defende, não há sequer recursos para a deslocação de casa para o serviço e vice-versa.

“Com o trabalhador há oito meses sem salários, e ainda não tem transportes para a recolha da casa e pós-serviço, isso também constitui um ponto muito importante. A direcção da empresa marcava faltas aos trabalhadores. Se uma pessoa já tem o salário atrasado não há valores para custear o transporte”, entende este colaborador da ENCIB.

 

…E Denuncia Falta de Transparência

Consta ainda, na carta de reivindicações, a exigência de mais transparência na gestão dos recursos e património da empresa. Segundo o sindicato, desconhece-se o destino que a empresa estatal dá às receitas geradas por uma britadeira subalugada a uma entidade privada.

Com a britadeira, chega-se a captar perto dos seis milhões de kwanzas, segundo contas de Raimundo Julião, técnico de primeira, destacado na britadeira em Caxito, no Bengo, números confirmados pelo departamento de RH.

 

 

 

 

 

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