A dois meses para o início do CAN do Egipto

Federação à ‘caça’ de patrocínios

A lutar com falta de dinheiro, a Federação Angolana de Futebol (FAF) ainda não definiu o orçamento para a ‘Operação Egipto. Artur de Almeida e Silva anda à procura de outras fontes de apoios como patrocinadores. Atentos, agentes desportivos aconselham a federação e o Ministério a reunirem as condições, o mais cedo possível, para que Angola faça boa campanha nesta 8.ª presença na competição.

Federação à ‘caça’ de patrocínios
Santos Sumuesseca
Jogadores da Selecção de Futebol
Cardoso Lima

Cardoso Limaex-secretário-geral da FAF

Todo o apoio é bemvindo para que a selecção se apresente durante o campeonato em boa forma física.

Depois de ter qualificado a selecção nacional para o CAN e a faltarem dois meses para o início da competição que vai decorrer no Egipto, de 21 de Junho a 19 de Julho, a Federação Angolana de Futebol (FAF), comandada por Artur de Almeida e Silva, continua a viver com o velho problema: a falta de dinheiro, desta vez, para a ‘Operação Egipto’. O dirigente máximo da federação promete rever a situação financeira da instituição que dirige, admitindo que “não respira boa saúde”, com vista à boa participação do Campeonato Africano das Nações.

A deslocação da selecção ao Botsuana, segundo Artur de Almeida, teve o apoio directo do Presidente da República, João Lourenço. Mesmo com as dificuldades, o órgão federativo programou, para Maio, a realização de um estágio na África do Sul.

No presente Orçamento Geral de Estado (OGE), o Ministério da Juventude e Desportos gere 98 milhões de kwanzas que estão reservados à participação das selecções em competições internacionais, mas o líder federativo prefere não fazer qualquer comentário sobre essa verba.

Cardoso de Lima, antigo secretário-geral da FAF, alerta que o “tempo é curto” e os trabalhos, “quer administrativos, quer competitivos, devem começar já” e que “todo o apoio é bem-vindo para que a selecção se apresente durante o campeonato em boa forma física”. O dirigente entende que o plano do treinador sérvio Srdjan Vaseljevic “deve ser apoiado incondicionalmente e não podem existir percalços durante a preparação”.

Dionísio de Almeida, comentador desportivo para arbitragem, sugere que a FAF coloque, à disposição da equipa técnica, boas condições de trabalhos e, para isso, deve exigir ao Ministério da Juventude e Desportos que os apoios surjam na hora certa. O antigo árbitro internacional acredita numa boa campanha da selecção, uma vez que o país esteve ausente em dois campeonatos africanos.

Já o antigo seleccionador nacional Oliveira Gonçalves aconselha o treinador a trabalhar com equipas fortes e com um futebol semelhante ao dos seus adversários que irão defrontar e treinar todas as variantes de jogos.  E aconselha ainda que, durante o sorteio da competição, Srdjan Vasiljevic e o presidente da federação marquem presença de forma a garantir entre dois e três jogos de preparação com as outras selecções.

O sorteio está marcado para 12 de Abril, na sede da CAF, no Cairo, Egipto. Angola, ausente da competição nas duas últimas edições, integra o pote três com o Uganda, África do Sul, Guiné-Bissau, Zimbábue e Burundi. O CAN 2019, previsto para entre 21 de Junho e 19 de Julho em pleno Ramadão (jejum tradicional muçulmano que dura 40 dias), vai ser disputado pela primeira vez por 24 equipas, contra as tradicionais 16 em 33 anos de competição.

 

Regresso à competição

Entre os países africanos de língua portuguesa, os grandes ausentes são Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Eis as selecções qualificadas: Senegal, Madagáscar, Marrocos, Camarões, Mali, Burundi, Argélia, Benim, Nigéria, África do Sul, Gana, Quénia, Zimbábue, RD Congo, Guiné Conacri, Costa do Marfim, Angola, Mauritânia, Tunísia, Guiné-Bissau, Namíbia, Uganda, Tanzânia e Egipto, o país organizador.

Os ‘Palancas Negras’ regressam à maior competição de futebol africano após a sua última participação em 2013, na África do Sul. Angola garantiu a sua 8.ª presença, com o jogo frente ao Botsuana, que teve um único golo marcado pelo estreante Wilson Eduardo aos 20 minutos da primeira parte.

O irmão do internacional português João Mário, ao serviço do Inter de Milão, foi assim o herói do triunfo angolano, vivendo um momento de felicidade, após ter perdido o pai, que faleceu aos 51 anos, vítima de doença.

Na última presença em 2013, na África do Sul, Angola ficou em último do grupo (A), com um ponto. Perdeu com os anfitriões (2-0), empatou com Marrocos e perdeu com Cabo Verde (2-1).

 

Fracas participações

A primeira participação numa fase final de um CAN foi em 1996 na África do Sul. Nesse ano, Angola ficou em último no grupo A, com um ponto, tendo perdido com o Egipto (1-2) e África do Sul (0-1) e empatado com os Camarões (3-3). A primeira vitória foi, em 2006, no Egipto vencendo o Togo, por 3-2. No Gana, em 2008, os ‘Palancas Negras’ passaram, pela primeira vez, à fase de grupos, ao ficarem em segundo no grupo D, com cinco pontos, os mesmos da Tunísia, em primeiro. Angola começou por empatar com a África do Sul, a um golo, venceu o Senegal, por 3-1, e empatou com a Tunísia, a zero.

Em 2010, prova que o país acolheu, Angola voltou a atingir os quartos-de-final, ao terminar na primeira posição do grupo A, com cinco pontos. Começou por empatar com o Mali a quatro golos, naquele jogo inesquecível, quando se deixaram empatar após estarem em vantagem de 4-0, a dez minutos do fim.Em 2012, na Guiné-Equatorial e Gabão, a selecção nacional não passou da fase de grupos, ao terminar na terceira posição, com quatro pontos. Falhouas duas últimas edições, em 2015, na Guiné-Equatorial, e 2017, no Gabão.quatorial, e 2017, no Gabão.